Através de uma publicação divulgada na sua página oficial, o líder da oposição afirmou ter recebido a notícia “com o coração profundamente consternado”, enquanto se encontra na Cidade do Cabo, na África do Sul, onde participa numa conferência internacional.
Segundo Adalberto Costa Júnior, a tragédia representa “uma dor nacional” e evidencia as fragilidades de um sistema incapaz de garantir a protecção dos cidadãos perante actividades mineiras ilegais e altamente perigosas.
“As imagens e os relatos que nos chegam são de partir a alma”, escreveu o dirigente político, referindo-se às operações de resgate realizadas em condições precárias e ao desespero vivido pelas famílias das vítimas. De acordo com o comunicado, apenas quatro pessoas foram retiradas com vida dos escombros, enquanto as buscas prosseguem na tentativa de localizar outros sobreviventes.
O presidente da UNITA sublinhou ainda que a exploração artesanal de ouro em Nambuangongo era do conhecimento das autoridades locais, que terão sido alertadas repetidamente para os riscos associados à actividade. Para o político, a ausência de intervenção preventiva contribuiu directamente para a dimensão da tragédia.
“Esta tragédia não é um acaso do destino. É a consequência trágica e anunciada de um sistema que falha redondamente em proteger os seus cidadãos”, declarou.
Adalberto Costa Júnior considerou igualmente que o garimpo ilegal continua a prosperar em várias regiões do país devido à fragilidade da fiscalização e à falta de alternativas económicas para a juventude angolana, cenário que, segundo defende, expõe milhares de pessoas a condições extremas de insegurança.
Na mensagem, o líder da oposição apresentou condolências às famílias enlutadas e à comunidade de Nambuangongo, apelando para que a perda das vítimas não seja esquecida.
“Que a vida do povo angolano passe, de uma vez por todas, a valer mais do que o ouro que jaz sob a terra”, concluiu.
A tragédia no Bengo volta a colocar sob escrutínio as condições de exploração mineira artesanal em Angola, bem como a capacidade das autoridades em prevenir acidentes associados ao garimpo ilegal, uma actividade que continua a representar risco elevado para centenas de jovens em várias províncias do país.

