Diversas leituras indicam que estas alterações terão funcionado como um processo de afastamento de correntes internas desalinhadas com a orientação do líder. Nomes influentes, como Rui Falcão e Virgílio Fontes Pereira, deixaram os órgãos centrais, dando lugar a figuras vistas como mais próximas da actual liderança.
De acordo com o África Monitor, as mudanças aos estatutos aprovadas no último Congresso introduzem a possibilidade de separação entre a presidência do partido e a candidatura à Presidência da República, permitindo que o líder do MPLA não seja, obrigatoriamente, o cabeça-de-lista. Tal cenário poderá assegurar a continuidade de João Lourenço na condução do partido para além do seu mandato presidencial.
A mesma fonte sublinha que a morte de Fernando da Piedade Dias dos Santos, “Nandó”, afastou um dos raros dirigentes com capacidade política para disputar a liderança interna. Por outro lado, o general Higino Carneiro, frequentemente apontado como potencial alternativa, encontra-se politicamente fragilizado devido a processos judiciais, o que contribui para consolidar a posição de Lourenço.
Perante os limites constitucionais que impedem um terceiro mandato consecutivo, fontes políticas em Luanda admitem vários cenários para a sucessão. Entre os mais referidos figuram a manutenção de Lourenço à frente do MPLA, com influência decisiva na escolha do candidato presidencial; uma solução de alternância estratégica com eventual regresso posterior; a ascensão ao poder por via de uma vice-presidência reforçada; a indicação de um sucessor de confiança, acompanhada de um afastamento formal; ou, em última instância, uma eventual revisão constitucional que viabilize um novo mandato.
Entre os potenciais candidatos presidenciais mais mencionados surgem Manuel Homem, Adão de Almeida, Vera Daves e Pereira Alfredo. Todos apresentam perfis tecnocráticos, relativa juventude política e uma ligação próxima à actual liderança. A escolha deverá, ainda assim, depender da evolução do quadro económico e político nos anos de 2026 e 2027.
Entretanto, o MPLA anunciou, em Março, a redução de 14,5% dos membros do seu Comité Central, medida enquadrada no processo de reorganização interna. A direcção do partido assegurou igualmente que não estão previstas alterações estatutárias no IX Congresso Ordinário, marcado para dezembro deste ano.

