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Sábado, 26 Setembro 2026 15:48

Sinto-me enganado pelos hipócritas que juraram proteger Angola de quaisquer ameaças e riscos

Desde tenra idade nos foi incutido de que quando está em causa a soberania nacional, nenhum esforço deve ser medido! Mas o que vemos é que alguns gestores públicos, ao invés de protegerem Angola, protegem os seus interesses. Em vez de respeitarem as leis, respeitam as suas conveniências.

 Mesmo diante dos problemas, ignoram as soluções. As suas acções prejudicam a vida dos angolanos na saúde, na alimentação, no saneamento básico, nas finanças e na economia. Por vezes, fico a perguntar-me: não sei em que direcção vamos.

É notório que uma governação que ataca apenas os problemas que lhe convêm acaba por privilegiar os assuntos mediáticos. Quando determinado assunto ganha visibilidade nas redes sociais, surgem respostas e até apoios. Mas, quando estão em causa questões estruturantes, com impacto directo na vida dos cidadãos, na economia, nas finanças, na criação de empregos para a juventude e no aumento da receita fiscal, os processos podem permanecer durante mais de seis meses por cima de uma escrivaninha, sem qualquer resposta.

Não podemos continuar a viver à mercê das conveniências dos governantes. Os governantes devem cumprir e fazer cumprir a lei. A superintendência deve fazer-se sentir quando estão em causa interesses públicos e privados*, e o recurso hierárquico deve merecer resposta dentro dos prazos estabelecidos por lei.

Se não tem competência para resolver os problemas, demitam-se.

Se há uma coisa que deixa o cidadão profundamente irritado é ver como os meios públicos são utilizados em detrimento das reais necessidades do país, sobretudo quando esses recursos são destinados à diversão e ao palhatismo, sem que daí resultem receitas líquidas significativas para os cofres do Estado.

Ou seja, esbanjam-se recursos públicos para fazer aquilo que é conveniente, em vez de se investir naquilo que é sustentável e capaz de produzir resultados para o país.

As instituições que não geram receitas são, muitas vezes, as que mais recebem verbas. Ao mesmo tempo, empresários e empreendedores cujas actividades geram receitas fiscal para suportar as despesas do Estado, criam emprego e auto-emprego, aumentam a produção nacional e contribuem para a competitividade da economia não recebem apoios de acordo com as suas reais necessidades.

Em alguns casos, os apoios são concedidos de acordo com a conveniência das próprias instituições públicas, atraindo para a actividade empreendedora pessoas que nunca exerceram verdadeiramente o empreendedorismo, mas que vêem nessas promoções uma oportunidade para conseguir algum benefício.

No final, os resultados falam por si. Se tivéssemos dados estatísticos rigorosos sobre a sobrevivência desses negócios, acredito que uma grande maioria não chegaria a completar seis meses. No final, fica a sensação de que é apenas dinheiro público gasto sem resultados proporcionais.

Esses valores, se fossem canalizados para aqueles que efectivamente desenvolvem actividade empreendedora e que procuram apoio para expandir negócios já existentes, poderiam produzir resultados diferentes.

O Executivo deve deixar de apoiar apenas aquilo que é conveniente ou mediático e começar a apoiar aquilo que é estruturante, sustentável e capaz de gerar valor para a economia nacional.

Angola precisa de instituições que cumpram a lei, respondam aos cidadãos e utilizem os recursos públicos em função do interesse público — e não das conveniências de quem governa.

Por: Tomás Alberto

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