Por volta das 11h25 (hora de Luanda), o barril de Brent, referência para os mercados internacionais, valorizava 5,49%, negociando-se a 99,24 dólares para entrega em Setembro. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência do mercado norte-americano, subia 4,24%, para 90,51 dólares por barril.
A pressão sobre os mercados intensificou-se depois de os rebeldes Houthis, do Iémen, terem reivindicado a autoria de uma ofensiva militar contra dois navios sauditas, alegando que as embarcações violaram o bloqueio naval decretado pelo grupo no inÃcio desta semana. A operação marca o inÃcio da aplicação prática do embargo marÃtimo anteriormente anunciado, criando novas restrições à s rotas de transporte de petróleo.
O Mar Vermelho representa um corredor estratégico para as exportações de crude da Arábia Saudita. Atualmente, cerca de quatro milhões de barris por dia atravessam esta via marÃtima, pelo que qualquer interrupção prolongada poderá reduzir significativamente a oferta global.
Segundo Soojin Kim, analista do banco japonês MUFG, cerca de quatro milhões de barris de petróleo saudita por dia transitam actualmente pelo Mar Vermelho. Uma interrupção prolongada neste corredor estratégico poderá restringir significativamente a oferta global e exercer pressão adicional sobre os preços.
Na avaliação da especialista, caso as tensões geopolÃticas persistam, aumenta a probabilidade de o Brent ultrapassar a barreira dos 100 dólares por barril, um nÃvel que não é observado há vários meses e que poderá ter impacto directo nos custos da energia e da inflação à escala global.
Em paralelo, os Estados Unidos lançaram uma nova vaga de ataques contra posições iranianas, enquanto Teerão respondeu com ofensivas dirigidas a bases militares norte-americanas localizadas na região do Golfo Pérsico. O confronto entra, assim, no décimo segundo dia consecutivo de hostilidades entre os dois paÃses.
Entretanto, a Guarda Revolucionária do Irão informou que um navio explodiu ao tentar atravessar uma área que classificou como estando minada, a sul do Estreito de Ormuz, um dos pontos de passagem mais importantes para o comércio mundial de petróleo.
A conjugação destes acontecimentos reforça os receios de uma eventual interrupção no fornecimento global de crude, num momento em que os mercados acompanham de perto a evolução do conflito e os seus potenciais impactos sobre os preços da energia.

