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Terça, 14 Julho 2026 20:14

Reservas em yuan podem facilitar financiamento da banca chinesa a Angola, diz economista

O economista angolano Daniel Sapateiro considerou hoje que uma maior utilização do yuan, moeda chinesa, pode originar um conjunto de benefícios económicos para Angola, entre os quais maior facilidade de financiamento por parte dos bancos chineses.

Em causa está a recente decisão do Banco Nacional de Angola (BNA) de autorizar os bancos comerciais a incluírem o Renmimbi (Yuan) nas suas reservas obrigatórias em moeda estrangeira.

Segundo Daniel Sapateiro, esta decisão vem na sequência da clara tendência do espaço que o Yuan vem ganhando em África, desde 2023 pelo menos. Contudo, o dólar norte-americano continua a ser, de longe, a principal moeda do comércio internacional, das reservas cambiais e do financiamento externo do continente.

Daniel Sapateiro realçou, em declarações à Lusa, que não se trata de uma substituição do dólar, mas uma diversificação monetária impulsionada sobretudo pela China.

Para o economista, sendo bem implementada esta medida, a maior utilização do yuan pode originar um conjunto de benefícios económicos para Angola.

Com esta medida, exemplificou o economista, pode reduzir a dependência do dólar nas transações com a China, ser facilitado o acesso das empresas à moeda necessária para importar, diminuir custos cambiais, aumentar a eficiência dos pagamentos, aliviar a parte da pressão sobre o mercado cambial e contribuir de forma indireta para uma maior estabilidade dos preços.

"Contudo, o impacto sobre a inflação e o acesso a divisas dependerá sempre da escala de utilização da moeda chinesa, da liquidez disponível em moeda chinesa, da confiança dos agentes económicos e da manutenção das políticas macroeconómicas sólidas", considerou.

Sobre o impacto na inflação, o economista considerou que esta medida do banco central angolano "sozinha ou isoladamente não elimina as pressões inflacionistas nem a necessidade de fortalecer a produção nacional e aumentar as receitas em moeda estrangeira".

"Os impactos para o nosso país passam pela maior utilização do yuan, que poderá trazer como vantagens o menor custo nas importações provenientes da China, menores necessidades de dólares, euros, rands, em determinadas operações, maior facilidade de financiamento por parte dos bancos chineses, redução parcial do risco cambial encontrados com empresas chinesas", referiu.

Como desafios, "que também existem", Daniel Sapateiro mencionou que as exportações petrolíferas continuam maioritariamente a ser feitas em dólares, a dívida pública ainda é largamente indexada ao dólar e o mercado financeiro angolano continua muito dependente do dólar para operações internacionais.

O BNA passou a permitir, na semana passada, que as instituições financeiras bancárias constituam reservas obrigatórias nas quatro moedas através da Diretiva que estabelece os procedimentos para a constituição e desmobilização das reservas obrigatórias em moeda estrangeira.

As reservas obrigatórias correspondem aos montantes que os bancos são obrigados a manter depositados no banco central, constituindo um dos instrumentos utilizados pelo BNA para gerir a liquidez do sistema financeiro e apoiar a execução da política monetária.

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