"Não se vislumbrando pressões inflacionistas nos próximos meses, o Comité de Política Monetária [CPM] reviu em baixa a projeção da taxa de inflação para 8,6% no final do ano de 2026, com um desvio de mais ou menos um ponto percentual", disse o governador no final da 130. Reunião Ordinária deste órgão, que hoje terminou na província de Malanje.
Na reunião anterior do CPM, realizada em maio, em Luanda, a projeção do banco central angolano apontava para 11,5%.
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatistica (INE), a inflação homóloga fixou-se em 10,11% em junho, face aos 19,73% observados no mês homólogo, confirmando a tendência de desaceleração dos preços.
Já a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi revista em alta de 3,5% para 3,6%, devido ao impacto positivo do setor não petrolífero, cujo crescimento estimado é de 4,32%.
Na leitura do comunicado final, Manuel Tiago Dias indicou que, de acordo com os dados do INE, o PIB angolano cresceu 5,32% no primeiro trimestre de 2026, "impulsionado pela contribuição positiva da atividade económica no setor não petrolífero", cuja taxa de crescimento foi de 6,22%, enquanto o setor petrolífero contraiu 0,21%..
A taxa de inflação mensal fixou-se em 0,52% em junho, abaixo dos 0,53% registados em maio, refletindo a desaceleração dos preços da classe de alimentação e bebidas não alcoólicas, "não obstante os ajustes dos preços do gasóleo em 5%, das tarifas de eletricidade em 10% e dos serviços de transportes públicos ferroviários urbanos e suburbanos em 50%".
Dez provincias angolanas registaram taxas de inflação homóloga de um digito, com destaque para Huambo (7,53%), Lunda Norte (7,65%), Cunene (7,75%) e Cuanza Norte (7,88%), tendo Luanda registado igualmente um valor abaixo dos 10% (9,96%).
Em resposta aos jornalistas, o governador defendeu que uma inflação "baixa e estável", seguida de aumentos de produtividade e de "melhorias nos salários", fará com que a população comece "a sentir os efeitos da queda da inflação", sublinhando que, com a taxa atual, "a perda do poder de compra do cidadão já foi menor" face a 2024 e 2025, anos em que a inflação se situou, respetivamente, em 27,5% e 15,7%.
Manuel Tiago Dias destacou ainda que, apesar do nível geral de preços, há muitos produtos que efetivamente registaram redução de preços, particularmente na classe de alimentação e bebidas não alcoólicas, "uma vez que é através desta classe que se pode medir verdadeiramente os impactos sobre o consumidor final".
Entre as vantagens da descida da inflação, o governador apontou a redução das taxas de juro praticadas pelos bancos comerciais, notando que a taxa do mercado monetário interbancário 'overnight' "já está em torno de 12%".
As taxas de juro "são negociáveis", lembrou, apelando às empresas que procuram financiamento para aproveitarem o "espaço de concorrência" existente num mercado com 22 bancos em funcionamento.
Sobre os riscos para a trajetória dos preços, Manuel Tiago Dias admitiu ser "um pouco arriscado" falar com horizonte no final de 2026, mas garantiu que, até à próxima reunião do CPM, não se anteveem "grandes riscos capazes de comprometer a trajetória descendente dos preços" na economia angolana.
O governador acrescentou que, quando o INE publicar, em agosto, os dados da inflação de julho, o banco central acredita que Angola vai "já registar uma inflação de um digito".

