Num cartaz publicado nas suas plataformas digitais, sob o título “Juntos não significa Unidos”, o pré-candidato escreveu: “Unidos somos um muro. Divididos, tijolos soltos. A história não nos perdoará se escolhermos a segunda opção.”
A mensagem surge numa altura de crescente tensão em torno do processo eleitoral interno do partido e é vista como um apelo à coesão, ao mesmo tempo que deixa implícitas críticas às divisões e aos acontecimentos que marcaram a apreciação da sua candidatura.
Na sequência da decisão da Subcomissão de Candidaturas de considerar inválida a sua candidatura, Higino Carneiro pediu serenidade aos seus apoiantes e assegurou que a sua equipa jurídica irá contestar o processo.
Num áudio amplamente divulgado pela imprensa angolana, gravado após o anúncio da decisão, o antigo governador afirmou que está a ser preparado um documento para solicitar esclarecimentos ao partido, recordando que o prazo para validação das candidaturas decorre até 25 de Outubro.
“A primeira posição é de calma, não é de desalento. As subscrições terminam a 25 de Outubro. Não pode haver nulidade por se terem encontrado irregularidades no processo. Irregularidades podem ser superadas”, declarou.
Higino Carneiro reiterou ainda que a preservação da unidade do MPLA continua a ser uma prioridade, embora considere necessário combater práticas que, na sua perspectiva, prejudicam a organização.
“Nós queremos preservar a unidade, defender os princípios e os valores do partido, mas temos de combater as injustiças, os malfeitores que estão dentro do partido, que provocam toda essa desgraça nacional”, afirmou.
Entretanto, o pré-candidato apresentou uma reclamação formal, na qual reivindica acesso integral às 2.273 fichas consideradas falsas e às 9.659 declarações de apoio classificadas como inválidas pela Subcomissão de Candidaturas.
Segundo a nota divulgada pela sua equipa, o pedido visa permitir a confrontação de toda a documentação na presença do mandatário da candidatura, defendendo que só dessa forma será possível verificar as alegadas irregularidades apontadas pelo partido.
Na terça-feira, o coordenador da Subcomissão de Candidaturas, Job Capapinha, explicou que foram detetadas várias irregularidades no processo, incluindo uma declaração de apoio atribuída a Djamila Huguette da Silva de Almeida, membro do Bureau Político do MPLA, que foi posteriormente desmentida pela própria, bem como a identificação de um bilhete de identidade falsificado.
A publicação da mensagem “Juntos não significa Unidos” reforça o ambiente de expectativa em torno da contestação prometida por Higino Carneiro, numa fase decisiva do processo eleitoral interno do MPLA, que continua a gerar intenso debate no seio do partido.

