Segundo as mesmas fontes, a opção por uma reclamação, em detrimento de uma impugnação imediata, prende-se com o facto de o prazo para a validação das candidaturas ao 9.º Congresso do MPLA decorrer até 25 de Outubro, mantendo-se, por isso, em aberto a possibilidade de reavaliação do processo no âmbito dos mecanismos internos do partido.
As fontes ligadas à candidatura admitem, no entanto, que o cenário político e judicial poderá tornar-se mais complexo, considerando que "virão por aí mais processos judiciais" envolvendo Higino Carneiro, que já é arguido noutros processos.
Questionadas sobre um áudio amplamente divulgado pela imprensa angolana, no qual o antigo general terá afirmado ser necessário "combater os malfeitores que estão dentro do partido", as mesmas fontes desvalorizaram o seu alcance, sublinhando que "não se trata de declarações oficiais", sem prestar mais esclarecimentos.
Na terça-feira, a subcomissão de candidaturas do MPLA anunciou a anulação da candidatura de Higino Carneiro, alegando a existência de "graves irregularidades" na documentação submetida a 25 de Junho.
Entre as irregularidades apontadas constam assinaturas de alegados militantes que não figuram nos Comités de Acção do Partido (CAP), utilização de cartões de militante descontinuados com datas de emissão recentes, listas subscritas por uma única pessoa em nome de vários militantes e ainda a apresentação de bilhetes de identidade considerados falsos.
De acordo com os dados divulgados pela subcomissão, das 19.158 fichas de subscrição que o mandatário da candidatura declarou ter entregue, apenas 14.493 foram efectivamente contabilizadas. Deste universo, 2.561 foram consideradas válidas, correspondendo a 17,6% do total, enquanto 9.659 foram classificadas como inválidas e 2.273 como falsas.
O presidente da subcomissão de candidaturas, Job Capapinha, afirmou que os factos apurados poderão configurar responsabilidade criminal, acrescentando que o processo será remetido aos órgãos competentes do partido para os devidos procedimentos.
Na sequência da decisão, uma fonte da candidatura de Higino Carneiro confirmou à Lusa que a equipa foi formalmente notificada e encontrava-se a analisar os fundamentos apresentados antes de definir os passos seguintes.
A anulação da candidatura surge num momento em que o MPLA prepara o seu 9.º Congresso, processo que definirá a futura liderança do partido no poder em Angola.

