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Quinta, 29 Outubro 2026 14:18

MPLA intima Higino Carneiro para interrogatório disciplinar após rejeição da candidatura

O candidato rejeitado à liderança do MPLA, Higino Carneiro, foi intimado para comparecer na sexta-feira perante a comissão disciplinar do partido no poder em Angola, revelou hoje fonte do partido.

De acordo com a mesma fonte, o general Higino Carneiro foi intimado esta quinta-feira a comparecer na sexta-feira, pelas 09:00, perante a Comissão de Disciplina e Auditoria do Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

A notificação surge na sequência da decisão da última reunião do Comité Central, a 21 de outubro, de manter a decisão que declara nula a candidatura do general à liderança do partido e de Ihe instaurar um processo disciplinar.

Higino Carneiro propôs-se disputar a liderança do partido com o atual presidente do MPLA e Presidente da República de Angola, João Lourenço, no IX Congresso marcado para 09 e 10 de dezembro.

A 21 de julho foi rejeitada a candidatura que o general tinha apresentado a 25 de junho com o fundamento de "graves irregularidades", nomeadamente assinaturas alegadamente falsificadas e a utilização indevida de documentos de identificação.

Na altura, o responsável da subcomissão de candidaturas do MPLA, Job Capapinha, concretizou que foram detetadas assinaturas de "supostos militantes" não inscritos nos comités de ação do partido (CAP), cartões descontinuados com datas de emissão recentes, listas assinadas por uma única pessoa em nome de vários e bilhetes de identidade falsos.

Higino Carneiro reclamou da decisão, mas o Bureau Político do MPLA manteve os fundamentos da rejeição e submeteu o processo para o Comité Central.

O órgão máximo do partido entre congressos confirmou a anulação da candidatura a 21 de outubro e decidiu instaurar um processo disciplinar a Higino Carneiro "com fundamento na violação das normas de forma voluntária e consciente dos deveres éticos e morais impostos pelos estatutos e pelo código de ética partidária do MPLA".

O Comité Central decidiu ainda "comunicar os factos à Procuradoria-Geral da República face à existência de fortes inícios da prática de crimes de falsificação de documentos pelo camarada Francisco Higino Lopes Carneiro".

O general decidiu recorrer também à Justiça para travar a decisão do partido e entregou, a 26 de outubro, uma providência cautelar no Tribunal Constitucional, que ainda não se pronunciou sobre a mesma.

O prazo para apresentação das candidaturas ao IX Congresso do MPLA terminou a 25 de outubro com três conhecidas: a do presidente João Lourenço, a de António Venâncio apresentada a dois dias de terminar o prazo, e a de Higino Carneiro, que foi rejeitada.

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