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Quinta, 10 Setembro 2026 20:26

Kwanza entra no sistema de pagamentos da SADC e torna-se a primeira nova moeda desde 2013

Entrada do kwanza no sistema de pagamentos transfronteiriços em tempo real da SADC permite liquidar directamente em moeda angolana e reduz a dependência de moedas intermediárias nas transacções regionais.

O kwanza angolano passou a integrar o sistema de pagamentos transfronteiriços em tempo real da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), tornando-se a primeira nova moeda de liquidação admitida na plataforma desde o seu lançamento, em 2013.

A integração permite às instituições financeiras participantes processar e liquidar directamente em kwanzas pagamentos transfronteiriços que cumpram os critérios estabelecidos, eliminando, em determinadas operações, a necessidade de recorrer a moedas intermediárias.

A entrada da moeda angolana no sistema representa um passo relevante para a integração financeira de Angola na região e poderá simplificar as transacções entre empresas e consumidores angolanos e os restantes mercados da SADC.

Até agora, determinadas operações transfronteiriças podiam exigir a conversão do kwanza para uma moeda intermediária antes de chegar ao destino final. A possibilidade de liquidação directa em moeda angolana reduz uma dessas etapas e poderá tornar os pagamentos regionais mais simples e previsíveis.

O impacto poderá ser particularmente relevante para empresas, exportadores e pequenas e médias empresas (PME) que mantêm relações comerciais com parceiros nos países da região.

Ao permitir que pagamentos elegíveis sejam processados em kwanzas, o sistema pode contribuir para reduzir a complexidade operacional das transacções e facilitar a participação de empresas angolanas no comércio regional.

Para consumidores e operadores económicos, a maior previsibilidade dos pagamentos poderá também facilitar a gestão das operações que envolvem diferentes mercados e sistemas financeiros.

A entrada do kwanza ocorre num momento em que os países africanos procuram aprofundar a integração económica através de infra-estruturas financeiras mais interligadas.

Os sistemas de pagamentos interoperáveis são considerados uma das ferramentas para reduzir barreiras às transacções transfronteiriças e apoiar o crescimento do comércio intra-africano.

Neste contexto, a integração do kwanza no sistema de pagamentos da SADC aproxima Angola das redes financeiras regionais e acompanha as ambições mais amplas da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA/AfCFTA).

A aposta passa por tornar os pagamentos entre diferentes países mais rápidos, eficientes e acessíveis, reduzindo os obstáculos associados à utilização de múltiplas moedas e sistemas financeiros.

Para Kátia da Conceição Ubisse, Country Manager da Visa em Angola, a interoperabilidade dos sistemas de pagamentos é determinante para o desenvolvimento de uma economia digital mais integrada no continente.

“Uma maior interoperabilidade entre sistemas de pagamentos é fundamental para a construção de uma economia digital mais conectada e inclusiva em África”, afirmou.

Segundo a responsável, a integração do kwanza no sistema de pagamentos da SADC constitui um passo importante para facilitar as transacções regionais e criar novas oportunidades para empresas e consumidores.

A responsável da Visa sublinha ainda que a transformação dos sistemas de pagamentos não deve ser encarada apenas como uma questão tecnológica.

“A inovação nos pagamentos vai muito além da tecnologia. Trata-se de criar condições para que pessoas e empresas tenham acesso às ferramentas de que necessitam para participar e crescer na economia formal”, afirmou.

A inclusão do kwanza no sistema de pagamentos transfronteiriços da SADC coloca a moeda angolana numa posição mais integrada no circuito financeiro regional.

Para Angola, a mudança poderá facilitar a relação comercial com os restantes países da África Austral e reduzir algumas das barreiras associadas às operações transfronteiriças.

O efeito será particularmente relevante à medida que empresas angolanas aumentem a sua presença nos mercados da região e que o comércio intra-africano ganhe peso.

Mais do que uma alteração técnica no sistema de pagamentos, a entrada do kwanza representa uma aproximação de Angola às infra-estruturas financeiras regionais, num contexto em que a integração económica africana depende cada vez mais da capacidade de os diferentes mercados comunicarem entre si de forma rápida e eficiente.

A medida poderá, assim, contribuir para tornar mais simples o movimento de bens, serviços e capitais entre Angola e os restantes mercados da SADC, reforçando a participação do país na economia regional.

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