Na nota, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) manifesta “profunda indignação e veemente repúdio” perante os atos de violência e o “uso desproporcional” da força contra cidadãos e membros da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) no contexto dos recentes acontecimentos registados na cidade do Uíge, em Angola.
“Neste momento difícil, a Renamo expressa a sua total solidariedade para com a UNITA, os seus membros, simpatizantes e, em particular, para com o seu presidente, (…) Adalberto Costa Júnior, bem como para com todas as vítimas e as suas famílias”.
A UNITA acusou a Polícia Nacional de cercar a sede do partido no Uíge e atentar contra a vida do deputado e secretário-geral da JURA (braço juvenil do partido), Nelito Ekuikui, num incidente de que resultaram vários feridos.
Segundo a Renamo, as imagens e relatos divulgados, que mostram cidadãos feridos, “são profundamente preocupantes e apelam à defesa intransigente” dos direitos humanos, das liberdades fundamentais, da democracia e do Estado de Direito.
“A força pública deve estar ao serviço de todos os cidadãos, independentemente da sua orientação ou filiação política, e não pode ser utilizada como instrumento de intimidação ou repressão política”, defende a segunda força da oposição moçambicana.
A Renamo defendeu o diálogo, a tolerância, a justiça e o respeito pela dignidade dos cidadãos como caminhos para a resolução das “divergências políticas”: “A democracia não se constrói com violência. Constrói-se com liberdade, respeito e justiça”.
A organização da sociedade civil Friends of Angola manifestou, em comunicado, “a sua profunda preocupação” com o ocorrido e condenou “a alegada repressão policial” que impediu a realização de um ato político da UNITA na província do Uíge, conforme noticiou a Lusa no sábado.
A Friends of Angola considerou “particularmente preocupante que episódios desta natureza ocorram num contexto de preparação para as próximas eleições gerais” e alertou que “a confiança dos cidadãos no processo democrático depende da existência de condições equitativas para todos os concorrentes, incluindo a liberdade de organização, mobilização e expressão política”.
Pediu ainda à comunidade internacional, incluindo a União Africana, a SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), as Nações Unidas e outros parceiros de Angola, que acompanhem atentamente o ambiente cívico e político que antecede as eleições, incentivando o respeito pelos princípios democráticos e pelo Estado de Direito.
Segundo o relato de Ekuikui à Lusa, a polícia fechou as ruas durante a manhã, cercou a sede e começou a disparar gás lacrimogéneo e, alegadamente, “balas reais”.
Costa Júnior anunciou, entretanto, o adiamento do ato central que estava previsto para a data, no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador do partido, Jonas Malheiro Savimbi, mas garantiu que o partido vai regressar e realizar a iniciativa posteriormente.
Os incidentes no Uíge inscrevem-se num quadro de tensão política numa altura em que Angola se prepara para o congresso que vai eleger um novo presidente para o partido no poder, o MPLA, e em que se aproximam as eleições gerais de 2027.
A Polícia Nacional angolana justificou a intervenção no Uíge com a tentativa da UNITA de realizar uma atividade partidária em “local impróprio”, junto a um tribunal, considerando também reprovável o fecho de ruas para atos políticos.

