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Domingo, 02 Agosto 2026 15:17

Sociedade civil angolana denuncia alegada perseguição judicial a críticos do Governo

Luanda – Organizações da sociedade civil angolana denunciaram, este sábado, aquilo que consideram ser o uso alegadamente abusivo do sistema judicial para perseguir, intimidar e condenar cidadãos críticos do Governo, sobretudo em períodos pré-eleitorais.

 As acusações foram reiteradas durante uma vigília de solidariedade com os presos políticos, realizada na Biblioteca 10Padronizada, em Luanda.

A iniciativa integrou um conjunto de acções cívicas promovidas em várias províncias do país, através das quais activistas e organizações da sociedade civil continuam a exigir a libertação de todos os presos que consideram ter motivações políticas.

Durante a vigília, o porta-voz do encontro e da Sociedade Civil Contestatária, Geraldo Dala, criticou o que classificou como a instrumentalização da justiça para silenciar vozes dissidentes e restringir a participação cívica.

"Estamos aqui para exigir que estes nossos irmãos sejam libertados e também para exigir que a justiça deixe de ser usada como instrumento de perseguição contra aqueles que pensam de forma diferente, que criticam o Governo e que exercem uma cidadania activa. Sabemos que, nesta fase pré-eleitoral, muitos outros poderão ser presos, porque é um período de silenciamento, em que se procura uniformizar a forma de pensar e de falar das pessoas", afirmou.

Segundo os organizadores, a realização destas vigílias pretende manter a atenção pública sobre a situação dos detidos e denunciar alegadas violações das liberdades fundamentais em Angola.

Também presente na iniciativa, o líder do Movimento Social para a Mudança, Francisco Teixeira, assegurou que a sociedade civil permanecerá mobilizada para promover uma alternância política nas eleições gerais previstas para 2027.

"Nós só temos um foco: a mudança em 2027. Se não a conseguirmos, estaremos a condenar o povo a mais cinco anos de sofrimento. Tenho plena certeza de que vamos retirar o MPLA do poder em 2027. A coragem já não vai depender de nenhum partido político", declarou o antigo dirigente do Movimento dos Estudantes Angolanos.

Entre as principais reivindicações apresentadas durante a vigília esteve a libertação de todos os presos considerados políticos pelos movimentos cívicos, incluindo Osvaldo Caholo, condenado a dois anos e seis meses de prisão pelo crime de instigação pública ao crime, alegadamente devido a uma declaração proferida sobre o Presidente da República, João Lourenço. A defesa do activista já interpôs recurso da decisão judicial.

Os movimentos cívicos afirmam que continuarão a promover iniciativas de solidariedade e sensibilização até que os detidos sejam libertados e apelam às autoridades para garantirem o respeito pelos direitos fundamentais, pela liberdade de expressão e pela independência da justiça.

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Last modified on Domingo, 02 Agosto 2026 15:31

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